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Mais um passarinho e eu me perco no cardume de borboletas azuis lunares que me rodeia nessa confusão de poeira cósmica
Mais um olhar e ele some no incenso que ensalubrou a sala de entrada do meu coração
A noite voa por mim como um redemoinho invisível a olho nu e eu não a vejo sem meus óculos, estou míope, quase no estado de amor; cego.
Ainda não sei.
Minhas lágrimas congeladas de cegueira da vida quicam no chão como um colar de pérolas arrebentado; um tapete de bolinhas de gude.
Como se um deus qualquer me aprisionasse em uma fotografia imóvel de calda de cereja.
Eu não vou nem fico, com olhos fechados, sem crispar, volto para o meu caixão, envergonhada, após ter mordido um pescoço sublime.
-“Lombra Torta”, por Rayssa Caixeta

